Na passada segunda-feira assinalámos o Dia Mundial do Professor. É uma oportunidade para agradecer a todos aqueles que escolheram uma das profissões mais importantes que uma sociedade pode confiar a alguém: educar.
É também um bom momento para olharmos para o futuro da profissão.
Portugal tem cada vez menos professores e os números para os próximos anos são preocupantes. Esta realidade já chegou às escolas. Há menos professores disponíveis e, naturalmente, mais oportunidades para quem está na profissão.
Nos próximos anos, Portugal terá de encontrar respostas para este problema. Teremos de tornar a profissão mais atrativa e, provavelmente, discutir novas formas de acesso à docência, permitindo que pessoas com formação, capacidade e verdadeira vocação para ensinar possam ter essa oportunidade. Isso não poderá, contudo, significar menor exigência. Novos caminhos para a docência terão de ser acompanhados por formação, supervisão, acompanhamento próximo e desenvolvimento profissional em serviço. Precisamos de abrir portas, mas também de garantir que quem entra numa sala de aula está preparado para a responsabilidade que assume.
Há, porém, algo que nenhuma alteração legislativa ou modelo de formação consegue criar: o compromisso. E é aqui que quero falar dos nossos professores...
Também nas nossas escolas há professores que recebem propostas. Professores que poderiam escolher outros caminhos, por vezes com condições financeiramente mais interessantes ou, simplesmente, com projetos diferentes. E a grande maioria escolhe continuar connosco.
É sobretudo a esses que, hoje, quero agradecer!
Ficar não significa acomodação. Muitas vezes significa exatamente o contrário: continuar a dar de si, mesmo quando há cansaço, esforço e pressão. Significa acreditar num projeto, numa equipa, numa escola e, sobretudo, nas crianças e jovens que lhes foram confiados.
Naturalmente, também nós temos uma enorme responsabilidade. Se queremos que os nossos professores permaneçam connosco, temos de lhes dar razões para isso. Temos de continuar a melhorar as condições de trabalho, proporcionar benefícios, reconhecer o mérito, criar oportunidades de crescimento, ouvir e acompanhar. E temos de construir uma escola onde as pessoas se sintam respeitadas, valorizadas e felizes. Temos feito esse caminho e queremos continuar a fazê-lo...
Mas há uma parte que pertence a cada um. Quando um professor aceita uma turma, não aceita apenas um horário. Assume um compromisso com os seus alunos, com as famílias, com os colegas e com a escola. E é particularmente significativo perceber que, num tempo em que existem tantas oportunidades para mudar, tantos continuam a dar valor ao compromisso que assumiram. Não porque não pudessem sair ou não tivessem outras possibilidades. Mas porque decidiram ficar. Porque há um projeto que começaram e querem terminar. Porque há colegas que contam com eles. E, sobretudo, porque há crianças e jovens que, todas as manhãs, esperam encontrá-los na escola.
É isto que também significa, para mim, ser professor. Não significa ficar para sempre na mesma escola. Todos temos o direito de mudar e de escolher outros caminhos. Significa saber honrar os compromissos que assumimos e cuidar das pessoas que contam connosco.
Por isso, neste mês em que celebramos os professores, quero agradecer especialmente aos nossos. Aos que estão todos os dias nas salas de aula, aos que enfrentam dificuldades e procuram soluções, aos que tiveram outras possibilidades e escolheram continuar connosco.
Obrigado por ficarem.
Fernando Fidalgo · Diretor Pedagógico Geral
Uma escola que acolhe pessoas
Queremos o melhor para as nossas crianças e jovens, e isso inclui o sucesso na escola. Mas, entre notas e objetivos, há uma pergunta que vale a pena fazer todos os dias: como se sentem? É ela que faz de uma escola um lugar de pessoas, e não apenas de matérias.
Cada criança que entra na escola traz consigo mais do que a mochila. Traz o seu dia: a alegria de uma novidade, a tristeza de uma despedida, uma preocupação que não vemos. O mesmo acontece com os jovens e com os professores, que também têm dias difíceis. O que sentimos influencia a forma como pensamos, aprendemos e nos relacionamos.
As emoções são respostas naturais do corpo e da mente àquilo que vivemos. Não são boas nem más. São informações. A alegria mostra-nos o que nos faz bem, o medo alerta-nos para um possível perigo, a tristeza pede tempo e proximidade. O importante não é deixar de sentir, mas aprender a reconhecer e a lidar com o que sentimos. E essa aprendizagem começa cedo, nas relações que vivemos.
Aprendi na minha formação de educadora de infância uma ideia que continuo a considerar fundamental: uma criança aprende melhor quando se sente segura, acolhida e compreendida. Quando um educador recebe com calma uma criança triste ou agitada, ajuda-a a voltar a estar disponível para aprender. Quando um professor procura perceber o que está por trás do silêncio ou da desatenção de um aluno, também está a ensinar: mostra que, naquela escola, as pessoas importam.
Mário Cordeiro, Daniel Sampaio e Eduardo Sá têm lembrado a importância de acolher e nomear as emoções das crianças e de levar a sério as dificuldades dos adolescentes. Mesmo quando parecem pequenas a um adulto, para quem as vive são enormes. Compreender não é concordar com tudo, é compreender antes de agir.
Em casa, isto pode ser simples. Perguntar “como te sentiste hoje?” antes de “como correu o teste?”. Ajudar a encontrar palavras para aquilo que ainda não se consegue dizer. Escutar sem pressa, mesmo quando o assunto nos parece pequeno. Estabelecer limites com serenidade. E lembrar que as crianças observam tudo: se veem adultos que se respeitam, aprendem a respeitar; se veem adultos capazes de pedir desculpa, aprendem que errar faz parte.
Também entre nós, pais e professores, a empatia faz diferença. Uma palavra amiga, um olhar compreensivo, a disponibilidade para ouvir sem julgar. Uma escola é feita de relações e, quando estas assentam no respeito e na confiança, criamos juntos um ambiente onde todos podem crescer.
Deixo três ideias:
Que este ano letivo seja um tempo de aprender mais, mas também de sentir melhor. Porque uma escola que acolhe as emoções é, acima de tudo, uma escola que acolhe pessoas.
Com carinho e encantamento pela descoberta.
Outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar, um bom pretexto para falar de leitura em família. Ler com os filhos não serve só para aprender a ler: abre assuntos. Mas como saber se um livro é bom? O Gabinete Psicopedagógico partilha consigo o que distingue um bom livro e o que procurar em cada idade.
Tem ritmo e musicalidade, usa a língua com cuidado e deixa espaço à imaginação. Texto curto não é texto pobre. Desconfie de rimas forçadas, só para rimar, e de histórias que anunciam a lição antes de começar.
Uma história com sentido e personagens com vida, com qualidades e defeitos. Fala com emoção, não com lições, e não explica tudo ao leitor. Um bom livro aguenta releituras: de cada vez descobre-se algo novo.
Não repete o texto: acrescenta detalhes, humor e emoções, e por vezes diz o que as palavras calam. Um teste simples: tape o texto e folheie só as imagens. Se percebe o que se passa, o livro está bem feito.
Livros resistentes, com imagens grandes e claras, pouco texto e repetição. Os mais pequenos gostam de ouvir o ritmo e de apontar. Nomeie o que vê e espere pela resposta: um som ou um gesto também é resposta.
Histórias com princípio, meio e fim, humor e ilustrações que contam mais do que o texto. São livros pensados para ler em voz alta, e para virar a página só depois de adivinhar o que vem a seguir.
Mais enredo e personagens, capítulos curtos para ler à noite e língua rica; a poesia também cabe aqui. Pode ler em voz alta, um capítulo por noite, e alternar entre o adulto e a criança.
A idade que vem na contracapa é só um guia: o que conta é o que o seu filho aguenta em atenção e o que o interessa. Convém variar entre poesia, contos, informação e banda desenhada. E no fim da leitura, repare: um bom livro deixa vontade de falar sobre ele. Para procurar boas leituras por idade, o Catálogo do Plano Nacional de Leitura é um bom ponto de partida.
Desejamos a toda a comunidade escolar uma semana de boas leituras e boas conversas.
Semana de 12 a 16 de outubro de 2026
| Dia | Sopa | Prato | Vegetariano | Sobremesa |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | Creme de legumes | Pescada c/ crosta gratinada e arroz de ervilhas, legumes salteados | Seitan gratinado c/ arroz de ervilhas, legumes salteados | Fruta variada da época |
| Terça | Creme de legumes | Lombo assado c/ arroz de ervilhas, legumes salteados | Seitan estufado c/ arroz de ervilhas, legumes salteados | Fruta variada da época |
| Quarta | Creme de legumes | Pescada cozida c/ batata e ovo, legumes cozidos | Seitan cozido c/ batata e ovo, legumes cozidos | Fruta variada da época |
| Quinta | Creme de legumes | Strogonoff de peru c/ esparguete (s/ natas), salada de alface e cenoura | Strogonoff de tofu c/ esparguete (s/ natas), salada de alface e cenoura | Fruta variada da época |
| Sexta | Creme de legumes | Tagliatelle de salmão com espinafres, salada de tomate | Tagliatelle c/ cogumelos, espinafres, tofu e tomate gratinado, salada de tomate | Fruta variada da época |
Acompanhamento diário: legumes salteados, legumes cozidos ou salada, consoante o prato. Para mais informação sobre alergénios, contacte a nossa equipa.
Porque educar é um caminho partilhado, esta newsletter traz-lhe as notícias, as conquistas e o que vem a seguir, semana após semana.